CHEZ MADAME ARTHUR. AU CARROUSEL. [PROGRAMA ASSINADO]



Condition of the lot: Good (just a few signs of use)

Idioma: Português / Portuguese


La Revue du «Carrousel» a été conçue, écrite, décorée et réalisée par Robert Lasquin. Choréographie et Ensembles d"Albert Morandi. Arrangements musicaux de Sam STINN. Chez «Madame Arthur». 75, bis rue des Martyrs. Paris-XVIIIe - Ornano 48-27. [«Au Carrousel». 40, rue du Colisée - Paris - Ély. 51-85] S.d. [ca. 1960]. De 25x19,5 cm. Com 32 págs. não numeradas. Brochado. Desenho da capa anterior de Bernard Buffet, 1957. Ilustrado com retratos dos artistas, apresentados tanto em traje masculino quanto feminino, conforme a tradição dos cabarets de transformistas da época Exemplar com assinaturas autógrafas datadas de Paris, 15 de Janeiro de 1960, uma delas da própria Madame Arthur (Maslowa). As assinaturas sugerem que o programa foi conservado como lembrança por um espectador num período em que estes cabarets estavam no auge da sua popularidade. A capa anterior tem no verso publicidade do cabaret «Elle et Lui» e «Chez Gaby, Tagada Club». Na contracapa pode ler-se: Revista concebida, escrita, decorada e realizada por Robert Lasquin. Coreografia e ensembles de Albert Morandi. Arranjos musicais de Sam Stinn.
Obra muito rara e importante, testemunho fascinante de uma era dourada na vida noturna de Paris, unindo dois dos cabarés mais icónicos e inovadores da cidade: Le Carrousel e Madame Arthur. Ambos os estabelecimentos foram de grande importância cultural, especialmente no que diz respeito à arte transformista e, posteriormente, à representação e apoio a artistas transgénero. Representa um vislumbre de uma época crucial na história da cultura LGBTQ+ e da performance artística parisiense. A primeira metade do programa reúne fotografias de Madame Artur e a segunda do Carrousel . Artistas documentados: Chez Madame Arthur : Pepa Darena, Hula, Michou, Violeta, Claude André, Gina Ginn's, Jan Carlove, Pepe, Francis Lorry, Lucrece, Lucky Sarcell, Touinou Costes, Micaëlli, Cora Delli, Dany Dan, Pamela, Rubis, Coccinelle. Au Carrousel : Coccinelle, Sophia, Les-Lee, Audrey, Capucine, Regine, Kiki Moustic, Lana, Fétiche et Gérard Duflos, Tony April, Karina, Rolandys, Claude Cristy, Everest, Les-Lee, Dominique, Bambi. Entre os fotógrafos encontram-se: Koruna, Chevert, Bernheim, Nisak, Iris, Marti. Madame Arthur, fundado em 1946 por Marcel Ouizman (também conhecido como Marcel Wutsman), no coração de Pigalle, na 75 bis rue des Martyrs, foi o primeiro cabaré "gender-twist" de França. O nome do clube provém de uma famosa canção de Paul de Kock, interpretada por Yvette Guilbert. Desde o início, Madame Arthur apresentou espetáculos de transformistes (artistas que parodiavam mulheres), com estrelas como Maslowa, que atuou sob o pseudónimo «Madame Arthut» durante vários anos. Em 1961, Marcel Ouizman abriu uma filial do Madame Arthur em Amsterdão. Embora tenha encerrado em 1994, reabriu em 2015, mantendo o seu legado. Le Carrousel, por sua vez, tem uma história ainda mais longa e variada. Originalmente inaugurado em 1926 como Chez Josephine por Guiseppe Pepito Abatino e a lendária Josephine Baker, na Rue Pierre Fontaine, perto do Moulin Rouge. Na década de 1930, tornou-se um restaurante-cabaré da moda, frequentado por figuras como Jean Cocteau e Edith Piaf. Nos anos 50, Le Carrousel transformou-se no primeiro cabaré transsexual da cidade. A partir de outubro de 1947, Marcel Ouizman assumiu a direção e mudou o clube para a 40 rue du Colisée, perto dos Champs-Élysées, estabelecendo o que ficou conhecido como "Le Grande Carrousel", um dos clubes mais caros e luxuosos de Paris até 1961. Após enfrentar processos e ser forçado a fechar devido a reclamações de ruído, reabriu em 1962 num espaço menor na 22 rue Vavin. Em 1985, mudou-se novamente para a 40 rue Fontaine. O cabaré encerrou definitivamente as suas atividades de jantar-espetáculo em 2016. No entanto, em 2016, foi relançado por Carla Clerico e Lionel Bensemoun, recuperando o nome de Le Carrousel e tornando-se um "hot spot" para o mundo da moda, transformando-se em discoteca após a meia-noite.
A ligação entre Le Carrousel e Madame Arthur era profunda. Ambos os clubes eram propriedade de Marcel Ouizman, e existia uma estreita afiliação e intercâmbio de artistas entre eles. Artistas talentosas começavam frequentemente no Madame Arthur e as melhores progrediam para Le Carrousel. As estrelas destes cabarés incluíam figuras lendárias como Coccinelle (nascida Jacques Charles Dufresnoy), que se apresentou no Madame Arthur em 1951 e se tornou uma estrela no Le Carrousel em 1952, liderando as revistas até 1974. Coccinelle foi uma pioneira, a primeira celebridade francesa a mudar oficialmente de sexo em 1959. A sua presença no palco e a sua vida revolucionária contribuíram para a aceitação e reconhecimento social das pessoas transgénero. Outra figura proeminente foi Bambi (Marie-Pierre Pruvot), que estreou no Madame Arthur em 1953 e também brilhou no Le Carrousel; assim como April Ashley, Peki d'Oslo (Amanda Lear), Capucine, Guilda e Sonne Teal. Os programas destes clubes eram famosos por incluir fotografias de glamour dos artistas, por vezes com uma pequena foto do seu persona masculino, mesmo para mulheres trans em transição. Esta prática, incomum para os padrões de hoje, documenta a complexidade das identidades da época. Estes cabarés não eram apenas locais de entretenimento; eram espaços de inovação cultural e social, onde artistas transgénero e travestis desafiavam normas e construíam uma comunidade de apoio mútuo. Coccinelle (Paris, 1931 - Marselha, 2006), nome artístico de Jacques-Charles Dufresnoy, começou no Madame Arthur em 1953 e tornou-se a primeira pessoa francesa a ter a sua cirurgia de reatribuição de género amplamente divulgada, em 1958. O seu casamento em 1960 foi o primeiro a ser legalmente reconhecido pelo governo francês, o que lhe permitiu mudar oficialmente de nome para Jacqueline-Charlotte Dufresnoy. Ela também usou a sua fama para o ativismo, fundando a organização 'Devenir Femme'.
Bambi (n. Isser, Argélia, 1935), nome artístico de Jean-Pierre Pruvot, começou a atuar aos 18 anos no Madame Arthur e Le Carrousel. Depois de uma carreira de sucesso, deixou o mundo da noite e tornou-se professora de francês no ensino secundário durante 25 anos. Foi homenageada com a Ordem das Palmas Académicas e a Ordem do Mérito, cimentando o seu estatuto como um ícone cultural. Ref.: Brusker, Nancy. The Carrousel and Madame Arthur: Parisian Transfeminine Cabarets in the 1950s and 1960s. Lilith: A Feminist History Journal, Number 30. pp 45-64.
Zagria. "Le Carrousel and Madame Arthur: Parts I, II, III: 1945 – 1962 and after." A Gender Variance Who's Who , 2015. sítio online «queermusicheritage» [digitalização de alguns programas contemporâneos].
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