CORREIA. (Natália) - O VINHO E A LIRA.



Condition of the lot: Good (just a few signs of use)

Autor: CORREIA. (Natália)

Idioma: Português / Portuguese


Colecção de poesia «Sagir». N.º1. 1ª edição. Edição de Fernando Ribeiro de Mello. Lisboa. S/d. [1966] De 19,5x12 cm. Com 99, [iv] págs. Brochado com capas em papel de feltro vermelho, com sobrecapa plástica de proteção. Exemplar com manchas de sujidade na sobrecapa, falha de revestimento e pequenos picos de acidez no verso das capas. Natália de Oliveira Correia (1923-1993) nasceu na ilha de São Miguel, Açores, vindo para Lisboa em criança. A sua carreira literária caracterizou-se pelo culto de uma grande diversidade de géneros: da poesia ao teatro, do ensaio ao romance, do livro de viagens à recolha e organização de antologias poéticas. Em O Vinho e a Lira (1966), começa a vislumbrar-se com maior nitidez a Europa de Natália: um lugar que perdeu a sua identidade. O poema “Requiem por nossa mãe Cibelanaítariadne” simboliza essa perda: Auschwitz, lugar de destruição, foi dos últimos a avistar Ariadne, figura da mitologia clássica cujo novelo conduziria a Europa de volta ao centro do labirinto, onde começou a sua história. Herdeira de um legado surrealista, Natália defende sempre a anulação da “obscena oposição entre a verdade e o mito”. De facto, a Europa de Natália é lugar de morte, como se pode verificar no poema da mesma obra “As silvas do mandala”: a uma África branca, Natália opõe uma Europa preta, cor que remete para um espaço consumido pelo fogo. A poesia nataliana denuncia, a cada passo, a situação precária de uma Europa reprimida pelo fascismo, regime em teia onde Portugal (dramaticamente) também se insere. A única salvação que parece restar é dada pelo verso do fecho deste poema: “Por amor tudo recomeça”, compreensível numa poética fortemente influenciada pela lírica camoniana. A circulação da obra esteve proibida na época, conforme se pode ler no RELATÓRIO Nº 7782 (6 DE JUNHO DE 1966) da Direcção dos Serviços de Censura: « […] Apresentam-se no decurso da obra expressões eróticas imorais, algumas expressas em termos escatológicos e insinuações de ordem política com tendência dissolvente, o que é suficiente para se propor a sua proibição de circulação no País. […] » A maior parte sua obra foi escrita durante o Estado Novo. Apesar de muitos dos seus livros terem sido apreendidos pela censura, e apesar de ter sido julgada em Tribunal, resistiu ao fascismo, praticando a liberdade na alteridade do texto literário e na defesa pública da democracia.
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